Você já se deu conta do quanto de educação ambiental está presente na sua rotina?
Pode parecer que esse assunto só faz sentido quando estamos escovando os dentes e lembramos de fechar a torneira, ou quando vamos de um cômodo a outro e apagamos/acendemos as luzes. Também nos momentos de separação e descarte dos resíduos. Essas são situações mais óbvias, pois tratam de hábitos que a maior parte de nós já internalizou. Mas e quanto às mensagens que nos chegam diariamente, por meio de filmes, séries, publicidade, redes sociais e tantos outros meios… O que elas nos contam?
O que as narrativas de entretenimento nos ensinam – mesmo quando não falam diretamente sobre meio ambiente
Em filmes e séries, é comum objetos aparecerem e depois simplesmente “sumirem”. Uma lâmpada que queima, o eletrônico que quebra, a embalagem vazia, as sobras de alimentos… São inúmeros exemplos. Para onde vão esses resíduos?
O fato de o descarte correto não ser tratado, mesmo que superficialmente, em produções audiovisuais é um apagamento do ciclo de vida dos produtos, fazendo parecer que o “jogar fora” é algo alheio ao cotidiano e que isso não impacta diretamente a nossa vida.
A publicidade também reforça essa lógica ao focar apenas na compra e no uso, e dificilmente no pós-consumo.
O que não aparece nas telas, também educa.
Redes sociais e a cultura do consumo
Todos os dias, recebemos uma enxurrada de conteúdos relacionados a tendências digitais que estimulam a compra rápida de produtos – são anúncios, vídeos com link direto para algum e-commerce, cupons de desconto, etc… O que parece praticidade, pode, sem um olhar crítico, virar uma motivação para o descarte precoce de itens, alimentando o comportamento consumista e tendo a lógica do “novo” como o valor central. Sem perceber, aprendemos hábitos ambientais observando o que é curtido, compartilhado e valorizado.
A falta de informação não é desinteresse, mas resultado de uma educação ambiental informal que não ensina a perguntar “para onde isso vai?”.
Iniciativas de logística reversa – como a Reciclus (lâmpadas fluorescentes), Green Eletron (pilhas, baterias e eletroeletrônicos) e Abree (eletrodomésticos e eletroeletrônicos) – ajudam a interromper esse ciclo automático, oferecendo caminhos possíveis.
Tornar o pós-consumo visível é um ato educativo: logística reversa como meio de consciência ambiental
Quando entendemos que os resíduos não desaparecem, mas seguem um caminho, e que o “jogar fora” implica impactos ambientais, a relação com o consumo muda.
Há conteúdos de entretenimento, assim como marcas ambientalmente responsáveis, que se preocupam em transmitir mensagens genuinamente educativas. Mas é importante que cada vez mais o ciclo de vida dos produtos e o cuidado com o meio ambiente sejam evidenciados, fortalecendo a construção da consciência ambiental individual e coletiva.
Para assistir, se entreter e aprender: dicas não óbvias para fortalecer a consciência ambiental
Filmes
- Okja (Netflix): Aventura/fantasia crítica ao consumo industrial e exploração animal, com forte mensagem sobre relação natureza-sociedade.
- Não Olhe Para Cima (Netflix): Embora seja uma sátira sobre crise global iminente, pode ser vista como reflexão sobre negacionismo e falha em responder a ameaças ambientais e científicas.
- Ainbo – A Guerreira da Amazônia (Amazon Prime Video): Animação que explora a defesa da floresta amazônica e cultura indígena.
- Ilhas das Flores (YouTube): Curta-metragem brasileiro com crítica social sobre consumismo, desigualdade social e desigualdade no acesso à alimentação.
Séries
- Extrapolações: Um Futuro Inquietante (Apple TV+): Antologia ambientada em futuros próximos, mostrando como a crise climática atravessa relações familiares, trabalho, tecnologia, política e consumo..
- The Last of Us (HBO): Embora seja uma narrativa pós-apocalíptica, a série toca em temas como colapso ecológico, limites da ciência, relação humano-natureza e sobrevivência em ambientes degradados.
- Silo (Apple TV+): Sociedade subterrânea vivendo sob regras rígidas para “proteger o ambiente externo”. Excelente para discutir medo ambiental, escassez, controle de recursos e desinformação.
- Dark Winds (Netflix): Série ambientada em territórios indígenas, com discussões sobre terra, exploração de recursos e pertencimento cultural.
- Sweet Tooth (Netflix): Após uma pandemia global, a humanidade é quase extinta e bebês híbridos, metade humanos, metade animais, começam a nascer.
Documentários
- A Vida no Nosso Planeta (Netflix): História da vida na Terra e das extinções, conectando evolução, ação humana e futuro do planeta.
- O Ano em que a Terra Mudou (Apple TV+): Observa como a pausa humana durante a pandemia afetou ecossistemas ao redor do mundo.
- Solo de Todos (Amazon Prime Video): Agricultura regenerativa, solo e sistemas alimentares como resposta à crise climática.



